The Brazilian Way of Teamworking
MA Advertising, 2024 – By Rafaela Bresolin
Sobre –
Esse projeto nasceu de um exercício proposto durante meu mestrado que nos desafiava a refletir sobre trabalho em equipe através de um produto-conceito.
Como imigrante, colaborando diariamente com pessoas de diferentes partes do mundo, percebi o quanto sentia falta do jeitinho brasileiro — essa capacidade quase instintiva, autenticamente brasileira, de transformar limitações em possibilidades através da criatividade, improviso e jogo de cintura.
O processo de desenvolver este projeto ajudou a moldar a profissional que sou hoje. Ele me fez revisitar minhas raízes e reconhecer as características que carreguei comigo ao longo dos anos vivendo no Reino Unido — percebendo como o Brasil continuou moldando minha forma de pensar, criar e colaborar, mesmo à distância.
Conceito –
Decidi focar na dinâmica da dupla criativa — redator e diretor de arte — o que imediatamente me levou ao feijão e arroz: a dupla mais clássica da cultura brasileira. Talvez a metáfora mais clichê possível, mas também a mais perfeita para representar uma parceria em que, separados, algo parece faltar.
Assim nasceu The Brazilian Way to Co-Work & Co-Cook: um livro de receitas pensado para não ser feito sozinho.
A primeira parte apresenta três receitas brasileiras cujo preparo se torna mais rápido — e mais divertido — quando feito em dupla, transformando cozinhar em uma metáfora para colaboração criativa.
O segundo capítulo explora valores brasileiros que moldam a forma como colaboro, crio e trabalho em equipe:
1. Mesa de Bar — O Palco do Debate Brasileiro
Uma mesa de plástico na frente de um bar em uma noite quente e tropical. Uma caipirinha na mão. Pessoas debatendo um assunto como se suas vidas dependessem disso.
Por mais importante que seja o tema, a dinâmica continua leve, divertida e apaixonada — alternando intensidade, risadas e interrupções.
Para mim, brainstorming na publicidade deveria se parecer mais com isso: menos metódico e mais espontâneo. Mais próximo de jogar conversa fora do que de uma reunião excessivamente estruturada.
Minhas ideias surgem com mais facilidade quando não existe a obrigação de dizer a coisa certa. Existe algo no natural, no impulsivo e no menos intencional que faz pensamentos se desenvolverem e serem refinados coletivamente.
Porque, no fim das contas, as melhores ideias nascem justamente entre a intensidade e a descontração.
2. The Art of Sugarcoating — O Doce Feedback
O melhor jeito de traduzir a expressão em inglês sugarcoating seria “adoçar algo”. O termo surgiu no século XIX a partir da prática de cobrir medicamentos com açúcar para suavizar seu gosto amargo. Hoje, “sugarcoating” descreve o ato de amenizar ou suavizar uma situação difícil ou desconfortável.
Nós, brasileiros, somos conhecidos pelo desejo constante de agradar e pela dificuldade quase hereditária de dizer um “não” direto — como no clássico “vou ver e te aviso”.
Na publicidade, percebi que o melhor jeito de comunicar uma crítica não era através da dureza, mas da construção. Introduzir elogios, destacar potencial e reconhecer acertos antes de apontar melhorias transforma o feedback em algo mais humano, produtivo e encorajador.
Nós, brasileiros, preferimos a sutileza. Existe quase uma delicadeza performática nisso: uma forma de guiar as pessoas rumo à melhoria sem desmotivá-las no processo.
Porque, às vezes, adoçar a mensagem não significa esconder a verdade — significa criar espaço para que ela seja melhor recebida.
Trabalho Completo –
